Laços de amor

Minhas escolhas dos últimos tempos… Tanto amor em forma de palavras!

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Da poesia à crônica

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Ontem me atrevi a ser poeta. Queria discorrer sobre o amor, então peguei uma folha de um velho caderno, uma caneta de tinta azul e fui para a varanda da minha casa me encontrar com as estrelas e a luz do luar. Sentada nas escadas, escrevi sem dar pausa às mãos sobre o que é amar e ser amada. Das palavras que juntei, nasceu poesia.

Hoje desejo ser cronista. Mas não quero falar novamente do amor, também não sinto vontade de escrever a respeito do desamor. Se amei no dia anterior, como poderia não amar um dia depois? A vida ontem era colorida e eu escolhia cada cor. Não havia sol, apenas predominavam as nuvens escuras. Entretanto, que diferença isso fez? O amor se tornou o responsável por improvisar o dia ensolarado dentro de mim e por fazer o sol brilhar no tom alaranjado que tanto me fascina. Desta forma, não teria como ser tudo diferente após 24 horas.

Tudo bem, vamos mudar de assunto, já disse que o amor não é o tema desta crônica. A poesia de ontem desbravou o verbo amar, a crônica de hoje precisa desvendar outros verbos, adjetivos ou sujeitos. Quem sabe posso escrever sobre o viver? Renderia um texto interessante? Acredito que certamente! Viver é o principal desafio do ser humano, que se enfrenta e se supera a todo novo dia. O que encarei hoje para viver poderia ser o enfoque desta crônica, por exemplo. Mas o meu dia foi mais um em que suspirei de amor. E a respeito disto não quero compartilhar, desejo guardar só para mim.

Pensando bem, vou escrever sobre o belo. A beleza de acordar e ouvir os sons dos pássaros, ou de sair às ruas e sentir o vento soprar em meu rosto. Sorrir para uma criança desconhecida que abre seu sorriso ao cruzar o meu rotineiro caminho até o trabalho, quão belo isto é! Chorar com as emoções que um livro me faz sentir, exatamente a obra que parecia ser apenas mais uma história qualquer. Incrivelmente belo! Assim como o abraço! Existe gesto mais belo? Abraçar e ser abraçada tem o poder de parar o mundo e de transformar pessoas.

Porém, de tudo que é belo, o amor ocupa a primeira posição. Sentimento puro e inocente, que invade o coração e domina a alma. Oh, Deus, dei voltas e mais voltas e o amor retornou para o centro das minhas frases, para disputar o lugar principal entre as minhas palavras. Por que não consigo escrever a respeito de um assunto qualquer sem que este tal de amor se intrometa? Definitivamente, desisto. Vencestes, amor! Estou amando, sim, e não há mais emoções que me dominem atualmente ao ponto de ser a temática desta crônica. Dou por encerrada a discussão. Ah, o amor…

* Crônica escrita durante Oficina de Escrita Criativa do Sesc Blumenau.

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Iluminar!

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A luz parece não apagar-se. Tudo brilha, intensamente.

Diante dos reflexos solares, do céu cinza invernil,

das gotas geladas da chuva, do luar que cobre o mundo

quando a vida pede descanso. Luz, que manifesta-se nas ruelas da história,

da cultura, dos idiomas que encontram-se e tornam as pessoas unidas a um só povo.

Luz, que reflete a Monalisa, o Louvre,  a Catedral de Notre Dame,

os cadeados apaixonados, os jardins.

Os livros que iluminam os metrôs, as praças, os cafés e

as livrarias que rementem à antiguidade e ao prazer da leitura no Velho Continente.

A vida, que proporciona luz ao monumento dos sonhos e da realidade.

Tour Eiffel, que ilumina Paris para sempre no coração de quem a vive de corpo e alma.

Paris, luz que reflete no universo.

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Segunda-feira

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O céu nublado do fim da segunda-feira, prestes a anoitecer, parece fazer efeito no humor das pessoas nas ruas. Ou será o fato de ser segunda? Quem sabe também é por causa de ambos os casos: tempo cinza e o dia mais indesejado da semana. Já não basta ser segunda-feira, o sol tem que se esconder? Esta gente toda nas vias movimentadas do centro da cidade anda apressada, de cabeça baixa, como se estivesse querendo se esconder de alguém, ou fugir logo para sua casa.

Confesso que faço parte deste movimento, com o passo acelerado e a visão centrada, de poucos desvios para o que acontece ao redor. Nem percebo os obstáculos pelo caminho, esbarro em árvores, postes, crianças, pessoas que parecem não saber o que é sorrir. Pouco me importa o mundo, só desejo pegar as estradas e as conduções que me levam até o meu refúgio, entre os azulejos gelados e as paredes frias do meu quarto, para me afundar na poltrona que é minha, apenas minha, junto daquele livro que se torna sempre a melhor companhia noturna.

Com o caminhar trôpego enfrento as ruas e encaro os indivíduos cansados na lotada estação de ônibus urbano, à espera da linha que segue para o meu destino final. Quando a condução chega, é um aperto, um empurra-empurra, todos querendo um lugar ao sol, ou um banco para viver em paz. Sou privilegiada entre tantos, me sento e aproveito para visitar meu eu interior, bem lá no fundo, a fim de que nada tire minha atenção. “Oi, quanto tempo! Como vai você?”, pergunto à minha alma. Ela responde que vai bem e que sentiu falta de nossas conversas corriqueiras, afinal já se passaram dias desde que nos falamos pela última vez. Sabe como é, né?! A rotina está cada vez mais corrida.

“Eu amo a mamãe, mas eu também te amo, papai”. Ops, não foi minha alma que disse isto, foi? No meio do bate-papo íntimo entre nós, toma conta uma voz suave, que sinaliza a inocência. “Acho que gosto mais dela. Não, gosto mais de você!”. Procuro por todos os lados quem é o ser que foi capaz de se atrever a me distrair. Encontro-o à minha frente, sentado no colo de seu pai e ao lado esquerdo de sua mãe. Um menino franzino, de pele clara, com os cabelos castanhos esvoaçantes, de aparente sete anos. Sim, é ele, um jovial garotinho, que com o olhar sincero faz jogo com seus pais, brincando que o amor é maior com um do que com o outro e roubando a minha visão, meus ouvidos e meus pensamentos.

“Papai, o meu amor por você é assim, gigante”, fala o menino, ao abrir os pequenos braços o máximo que consegue. O riso toma conta do jovem casal, de pouco mais de 30 anos, com as brincadeiras do filho. “O meu amor por você, mamãe, também é assim grande, grande…” e estica os braços mais uma vez. Novamente risadas e os braços antes esticados se curvam nos pescoços de ambos, pai e mãe, num abraço cheio de ternura.

Dou uma pausa na cena para voltar à conversa com meu eu interior. “Hoje os tempos são outros, concorda? Raros são os que se preocupam em dizer eu te amo e em demonstrar afeto. Olhe ao redor, só se vê gente de semblante sério e reclamando de preço que aumentou, de emprego que não agrada e de filho que o estressa. Se nos deparamos com tanto carinho entre pai, mãe e criança, como estes à frente, estranhamos e admiramos”. “É, os tempos são outros”, responde minha alma.

Os abraços calorosos e as frases “amo mais a mamãe” ou “amo mais o papai” se repetem diversas vezes ao longo dos longos minutos de meu trajeto. Minha atenção se divide entre os três e meu eu interior – mas confesso que o interesse maior está no menino apaixonado por seus pais. Assim que preciso descer do ônibus para enfim entrar no meu mundo particular de quatro paredes, o vazio se faz presente e sinto vontade de eternizar as cenas de amor sincero que antes presenciei. Não é possível fazer isto na “vida real”, porém consigo tornar perpétuo através das palavras: entro no quarto, pego meu caderno de rabiscos narrativos, sento na poltrona e escrevo esta crônica.

* Crônica escrita durante Oficina de Escrita Criativa do Sesc Blumenau.

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Vida!

Nunca disseram que seria fácil enfrentar os obstáculos do dia a dia.

Mas também sempre aconselharam a jamais desistir.

Bom se pudesse crescer e ainda assim ser criança.

Carregar a inocência na mochila de gente adulta.

Caminhar pelas estradas da vida e pensar que está indo para o parque de diversão.

Sorrir como quando o vovô fazia cócegas intermináveis.

Sonhar infinito.

Ah, bom seria!